Veículo: Jornal do Brasil - 17/11/2008
Idelina Jardim
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) morrem, no Brasil, cerca de 35 mil pessoas por ano vítimas da imprudência no trânsito, formando um contingente constituído por mais de 500 mil traumatizados, dos quais 25 mil morrem em até 30 dias após o acidente. Essa cruel estatística traz um custo financeiro anual, estimado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), de quase 30 bilhões de reais distribuídos em perdas materiais, interrupção de atividades profissionais, custos médicos e de tratamentos, seguros e indenizações, entre outros.
Na semana passada, o relator da Lei 11.705/08, conhecida como Lei Seca, deputado Hugo Leal (PSC-RJ), apresentou na Câmara o Projeto de Lei 4260/08, que institui o dia nacional de mobilização em memória das vítimas de trânsito.
– Por mais que o governo se esforce e coloque uma maior fiscalização, a campanha mais eficiente é a mobilização da própria sociedade. Um testemunho é muito mais contagioso que grandes recursos investidos. Quanto mais organizada ela estiver, menos violento será o nosso trânsito – destacou Leal, ex-presidente do Detran-RJ.
Lei Seca
No fim de julho passou a vigorar a Lei Seca, que altera o Código de Trânsito Brasileiro e proíbe o consumo de praticamente qualquer quantidade de bebida alcoólica por condutores de veículos. Quem excede o limite de 0,2 grama de álcool por litro de sangue, paga multa de 957 reais. Perde ainda a carteira de motorista por um ano. A quantidade permitida equivale a uma lata de cerveja ou uma taça de vinho. Quem é surpreendido pelos bafômetros com mais de 0,6 grama de álcool por litro de sangue (equivalente três latas de cerveja) pode ser preso. Nos primeiros meses, a fiscalização nas principais capitais mostraram algum efeito. No entanto, hoje, motoristas que circulam pelas durante as madrugadas não encontram qualquer intimidação.
– Se a lei erroneamente chamada de Lei Seca, que eu chamo de Lei da vida, não se sustentar por omissão das autoridades constituídas por falta de fiscalização, vou pedir uma audiência na ONU, que seja de 30 segundos, para denunciar o meu país como irresponsável e incompetente para tratar de assuntos de trânsito e suas conseqüências –informou o engenheiro Fernando Diniz, presidente da Ong Trânsito Amigo, que perdeu o único filho homem, de 19 anos , que estava de carona no dia do acidente automobilístico na Barra da Tijuca.